Tuesday, August 19, 2008

Valor intrínsico

A lua, seguindo a própria natureza,
Extravasa o esplendor quando alumia
Sem poder se esquivar, ficando acesa
Àqueles que lhe mostram apatia.

A nuvem dá vazão à sua tendência
Derramando sua água cristalina
Sobre pedras que mesmo co’insistência
Não podem absorvê-la, eis a sina.

E também este frêmito que sinto
Embora cristalino e opulento
Encontra no objetivo algo distinto.

E por não se mostrar nada seleto
Acaba por provar que o sentimento
Prescinde do valor de seu objeto.



Métrica: decassílabos heróicos

© Direitos autorais registrados na Biblioteca National, RJ

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